O que a inteligência artificial já mudou na advocacia?

By Diego Velázquez
5 Min de leitura
Gilmar Stelo

A inteligência artificial já começou a alterar atividades que fazem parte da rotina jurídica. O Doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, atua em uma profissão na qual essas ferramentas já começam a modificar tarefas como pesquisa, organização de informações, análise de documentos e preparação de textos. A principal mudança, porém, não está apenas na velocidade proporcionada pela tecnologia, mas na forma como os advogados passam a distribuir seu tempo entre atividades operacionais, análise técnica e construção de estratégias.

Quais tarefas começaram a mudar primeiro?

As primeiras transformações aparecem nas atividades que envolvem grande volume de informações. Ferramentas de inteligência artificial podem auxiliar na localização de conteúdos, comparação de documentos, organização de dados e elaboração de versões preliminares de textos, reduzindo o tempo dedicado a tarefas repetitivas. Esse apoio pode facilitar a organização da rotina e permitir que o profissional encontre informações relevantes com mais agilidade, especialmente em trabalhos que envolvem grande quantidade de documentos e conteúdos jurídicos.

Segundo o Doutor Gilmar Stelo, esse processo não significa que a tecnologia possa assumir sozinha a responsabilidade pelo trabalho jurídico. O material produzido precisa ser conferido, contextualizado e adaptado ao caso concreto. Uma resposta aparentemente correta pode conter uma interpretação inadequada, uma informação incompleta ou uma referência que não corresponde à situação analisada. Por isso, a revisão profissional continua sendo indispensável, tanto para verificar a exatidão das informações quanto para avaliar se o conteúdo realmente atende às características e aos objetivos daquele caso.

A mudança, portanto, está na distribuição do esforço. Quando determinadas tarefas operacionais são aceleradas, o advogado pode concentrar mais tempo naquilo que exige interpretação, avaliação de riscos e definição de caminhos para cada caso. A tecnologia passa a funcionar como instrumento de apoio, enquanto a responsabilidade pela análise e pela estratégia permanece vinculada ao profissional que conhece o contexto jurídico e as particularidades da situação.

A pesquisa jurídica ficou mais rápida?

De acordo com o Doutor Gilmar Stelo, a pesquisa é uma das atividades que mais podem se beneficiar da capacidade de processamento das novas ferramentas. Sistemas de inteligência artificial conseguem auxiliar na organização de grandes volumes de conteúdo e facilitar a localização de informações relacionadas a determinado assunto. Isso pode reduzir o tempo gasto em etapas preliminares e permitir que o advogado tenha uma visão mais organizada dos materiais que precisam ser examinados antes da construção de uma análise jurídica.

Gilmar Stelo
Gilmar Stelo

A velocidade, entretanto, não elimina a necessidade de análise. O advogado continua precisando verificar a legislação aplicável, conferir decisões, avaliar a pertinência dos argumentos encontrados e determinar se aquela informação realmente se encaixa no caso concreto. Também é necessário observar o contexto em que cada informação foi produzida, já que uma resposta genérica pode não considerar particularidades importantes da situação analisada e levar a uma conclusão inadequada.

O que muda na produção de documentos?

A elaboração de documentos também passou a incorporar ferramentas capazes de produzir estruturas iniciais, organizar informações e auxiliar na revisão de conteúdos. Uma atividade que antes começava necessariamente em uma página em branco pode agora partir de um material preliminar que será analisado e aperfeiçoado pelo profissional. Esse recurso pode facilitar a preparação de contratos, pareceres, petições e outros documentos, desde que o conteúdo seja submetido a uma revisão cuidadosa antes de sua utilização.

Isso modifica o fluxo de trabalho dos escritórios, informa o Doutor Gilmar Stelo. O tempo economizado em determinadas etapas pode ser direcionado para a revisão jurídica, adequação da linguagem, identificação de riscos e construção dos argumentos mais relevantes para cada situação. A equipe pode, assim, distribuir melhor as tarefas, deixando a tecnologia apoiar etapas operacionais enquanto o profissional concentra sua atuação nas decisões que exigem conhecimento técnico e compreensão das particularidades do caso.

O ganho, portanto, não está simplesmente em produzir documentos mais rapidamente. O valor está em utilizar o tempo liberado para atividades que dependem de conhecimento jurídico, compreensão do contexto e capacidade de tomar decisões diante de diferentes possibilidades. A eficiência proporcionada pela tecnologia só se torna relevante quando contribui para melhorar a qualidade do trabalho e permite que o advogado dedique mais atenção às questões que realmente exigem análise profissional.

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