Taiza Tosatt Eleoterio elucida a diferença entre amar demais e estar preso a um vínculo que adoece

By Diego Velázquez
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Taiza Tosatt Eleoterio

Taiza Tosatt Eleoterio, psicanalista dedicada à saúde mental e às relações familiares, ouve com frequência a frase “mas eu o amo demais” como explicação para permanecer em uma relação que faz sofrer. Por trás dessa fala existe uma confusão delicada entre amor e dependência. Distinguir uma coisa da outra é essencial para compreender por que alguns vínculos, em vez de nutrir, passam a adoecer quem os vive.

Este texto propõe um olhar cuidadoso sobre essa diferença, sem julgar quem ama nem simplificar uma experiência que costuma ser bastante complexa. A intenção é oferecer reflexão, não rótulos, para que cada pessoa possa pensar sobre os próprios laços com mais clareza.

Amar não é se anular

O amor saudável costuma ampliar a vida de quem ama. Ele convive com o respeito, com a liberdade e com a possibilidade de ser quem se é dentro da relação. Quando há afeto verdadeiro, o outro soma, e cada um continua existindo como pessoa inteira. Não há necessidade de abrir mão da própria identidade para manter o vínculo de pé.

Taiza Tosatt Eleoterio observa que o problema aparece quando a relação começa a exigir o apagamento de si. Deixar de ver amigos, abandonar sonhos e silenciar opiniões para evitar conflitos são sinais de que algo passou do ponto. Amar não deveria significar desaparecer aos poucos. Quando o vínculo cobra esse preço, vale olhar com atenção para o que está acontecendo.

Quando o medo se confunde com afeto

Em vínculos que adoecem, o que mantém a pessoa por perto muitas vezes não é o afeto, e sim o medo. Medo de ficar sozinha, medo da reação do outro, medo de não dar conta da vida sem aquela relação. Esses sentimentos são poderosos e podem ser confundidos com amor, porque também geram uma sensação intensa de ligação com o outro.

A leitura psicanalítica ajuda a separar esses fios. Uma relação sustentada pelo medo tende a gerar alívio quando o outro está presente e angústia quando ele se ausenta, num ciclo que cansa e adoece. Taiza Tosatt Eleoterio aponta que perceber essa dinâmica não é fácil, justamente porque ela se disfarça de amor. Nomear o medo é um passo importante para recuperar a clareza.

O peso da dependência emocional

A dependência emocional acontece quando o bem-estar passa a depender quase inteiramente do outro. A pessoa sente que não consegue tomar decisões sozinha, que precisa de aprovação constante e que sua felicidade está nas mãos do parceiro. Esse estado deixa qualquer relação frágil, porque tira do indivíduo a sensação de que pode se sustentar por conta própria.

Vale lembrar que a dependência emocional não é sinal de fraqueza de caráter. Ela costuma ter raízes em histórias de vida, em vínculos antigos e em experiências que ensinaram a pessoa a buscar no outro a segurança que não encontrou em si. Compreender essa origem, sem se culpar, abre caminho para reconstruir, aos poucos, uma relação mais equilibrada consigo mesma.

Reencontrar o próprio lugar

Sair de um vínculo que adoece, ou transformá-lo, começa por reencontrar o próprio lugar. Isso significa resgatar interesses, retomar relações que ficaram de lado e voltar a se reconhecer como pessoa para além da relação. Esse movimento devolve à pessoa a noção de que sua vida tem valor independentemente do outro.

Taiza Tosatt Eleoterio costuma reforçar que esse caminho fica mais leve com apoio. A escuta de um profissional, somada ao acolhimento de pessoas de confiança, ajuda a distinguir o amor que liberta daquele que aprisiona. Amar é importante, mas nunca deveria custar a própria saúde emocional. Reconhecer essa diferença é um gesto de cuidado consigo mesma.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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