Alexandre Costa Pedrosa investiga a gestão do tempo como um dos desafios mais recorrentes no cotidiano de pessoas neurodivergentes, especialmente em contextos marcados por múltiplas demandas, prazos rígidos e estímulos constantes. A forma como o tempo é percebido, organizado e vivenciado pode variar significativamente conforme o funcionamento neurológico, o que torna pouco eficaz a aplicação de soluções padronizadas apresentadas como universais. Compreender essas diferenças ajuda a reduzir cobranças inadequadas e frustrações recorrentes.
No cotidiano, dificuldades relacionadas ao tempo não se limitam a atrasos ou esquecimento de compromissos. Elas envolvem percepção temporal, priorização de tarefas, transições entre atividades e administração da própria energia mental. Quando esses fatores não são considerados, surgem sobrecarga, sensação persistente de improdutividade e desgaste emocional acumulado ao longo da rotina, afetando também a autoestima.
Percepção do tempo e seus impactos na organização diária
Segundo Alexandre Costa Pedrosa, pessoas neurodivergentes podem experimentar o tempo de maneira menos linear, o que influencia diretamente a organização das atividades diárias. A noção de duração, início e término de tarefas nem sempre segue expectativas convencionais, dificultando estimativas realistas e planejamentos muito rígidos. Esse descompasso costuma ser interpretado de forma equivocada como falta de compromisso.
Nesse contexto, a dificuldade não está na execução das tarefas em si, mas na organização da sequência e do ritmo das ações. Transições abruptas entre atividades exigem esforço cognitivo elevado, o que compromete a fluidez do dia. Reconhecer essa característica permite criar estratégias mais compatíveis com a forma como o tempo é internalizado.
Sobrecarga de tarefas e consumo de energia mental
Alexandre Costa Pedrosa observa que a gestão do tempo está diretamente ligada à administração da energia mental. Pessoas neurodivergentes tendem a gastar mais recursos cognitivos em tarefas que envolvem organização, tomada de decisão e adaptação a mudanças inesperadas. Quando a agenda é preenchida sem considerar esse custo energético, a sobrecarga se instala de maneira rápida.
O acúmulo de compromissos, mesmo que simples, pode gerar exaustão antes mesmo da execução. Esse desgaste compromete foco, motivação e capacidade de concluir atividades, criando um ciclo de frustração. Ajustar o volume de tarefas diárias e respeitar limites individuais contribui para uma rotina mais sustentável.

Estratégias de gestão do tempo adaptadas à neurodivergência
De acordo com Alexandre Costa Pedrosa, estratégias eficazes de gestão do tempo precisam ser adaptáveis e visuais, reduzindo a dependência de abstrações excessivas. Ferramentas como listas segmentadas, blocos de tempo flexíveis e lembretes visuais auxiliam a externalizar a organização, diminuindo o esforço mental necessário para planejar e lembrar compromissos.
A fragmentação das tarefas em etapas menores facilita a execução, pois reduz a sensação de complexidade. Além disso, estabelecer margens de tempo entre atividades favorece transições mais suaves e menos desgastantes. Essas estratégias não buscam controle rígido, mas suporte funcional ao cotidiano.
Gestão do tempo, autonomia e bem-estar emocional
Alexandre Costa Pedrosa destaca que uma gestão do tempo alinhada ao funcionamento neurológico fortalece a autonomia e o bem-estar emocional. Quando a pessoa organiza sua rotina de forma compatível com suas necessidades reais, diminui a sensação de inadequação e aumenta a percepção de controle sobre o próprio dia, inclusive em períodos mais exigentes.
Esse ajuste favorece relações mais equilibradas em ambientes familiares, educacionais e profissionais, pois expectativas se tornam mais realistas. Além disso, quando o tempo passa a ser administrado de forma menos punitiva e mais estratégica, reduz-se o desgaste emocional associado à sensação constante de atraso ou improdutividade. Ao compreender a gestão do tempo como um processo individual e flexível, torna-se possível construir rotinas que preservam energia mental, reduzem sobrecarga e promovem qualidade de vida de forma contínua e sustentável.
Autor: Davis Wilson

