Gestoras de grandes fortunas brasileiras têm triplicado a fatia destinada a estratégias de crédito privado em seus portfólios, movimento que acompanha uma tendência observada em outros mercados e amplia a demanda por governança independente nas estruturas escolhidas
Uma mudança silenciosa vem remodelando a forma como as famílias mais ricas do Brasil alocam seu patrimônio. Levantamentos do setor de gestão de fortunas mostram que estruturas de family office brasileiras vêm elevando de forma expressiva a fatia de seus portfólios destinada a crédito privado, em alguns casos triplicando essa alocação ao longo dos últimos anos. Pesquisas internacionais confirmam a mesma direção: sete em cada dez family offices ao redor do mundo já ajustaram ou planejam ajustar suas alocações de portfólio, com mais da metade deles mantendo uma visão otimista especificamente sobre crédito privado, sobretudo em ativos ligados à infraestrutura.
O movimento reflete uma busca por rentabilidade em um cenário de juros elevados, no qual estruturas de crédito privado brasileiras oferecem retornos reais atrativos quando comparadas a alternativas disponíveis tanto no mercado doméstico quanto em mercados desenvolvidos. Diferentemente de fundos de pensão e demais investidores institucionais regulados, family offices costumam ter maior flexibilidade para direcionar parcelas relevantes de seu patrimônio a estruturas de maior prazo e menor liquidez, características comuns a fundos de crédito estruturado como FIDCs e fundos de participações.
Preferência por fundos de prazo mais longo e perfil high yield
Levantamentos com gestoras brasileiras de grandes fortunas indicam uma preferência específica por fundos de crédito privado com prazo mais estendido e perfil de retorno mais elevado, em contraste com a alocação mais conservadora tradicionalmente associada a esse tipo de investidor. Essa mudança de perfil acompanha um processo mais amplo de sofisticação da gestão de patrimônio no Brasil, no qual family offices passaram a contar com equipes internas de análise mais preparadas para avaliar diretamente o risco de crédito de estruturas privadas, reduzindo a dependência exclusiva de recomendações padronizadas de bancos e private banks.
Para Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM, o apetite crescente de family offices por crédito privado eleva a exigência sobre a qualidade da governança das estruturas nas quais esse capital é alocado:
“Um family office que aumenta significativamente sua exposição a crédito privado está, ao mesmo tempo, aumentando sua exposição a um tipo de risco que exige acompanhamento técnico constante. Diferentemente de uma ação negociada em bolsa, com preço público e liquidez diária, um FIDC ou um fundo de participações depende de um administrador fiduciário capaz de garantir que a informação sobre a carteira seja precisa e atualizada”, avalia o executivo.
Preocupação com garantias reforça o papel da custódia independente
Estudos sobre o comportamento de family offices brasileiros também identificam um ponto recorrente de cautela entre gestores de grandes fortunas: a percepção de que o mercado local de crédito privado ainda é menos maduro em termos de estrutura de garantias quando comparado a mercados internacionais mais consolidados. Essa percepção, ainda que reflita um estágio de desenvolvimento anterior da indústria brasileira, tem se tornado menos determinante à medida que administradores fiduciários e custodiantes independentes consolidam processos mais rigorosos de auditoria de lastro e de segregação patrimonial entre os ativos dos investidores e o patrimônio da própria instituição financeira.
A ID CTVM, habilitada pela Comissão de Valores Mobiliários e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais para atuar em administração fiduciária, custódia qualificada e controladoria, tem ampliado sua atuação junto a gestoras que atendem esse perfil de investidor, oferecendo relatórios detalhados sobre a composição e o desempenho das carteiras que sustentam as estruturas de crédito privado sob sua administração.
Diversificação de patrimônio amplia o interesse por veículos exclusivos
Além de fundos abertos a múltiplos investidores, uma parcela do apetite crescente de family offices por crédito privado tem se direcionado a veículos exclusivos, estruturados sob medida para atender às necessidades específicas de uma única família ou de um grupo restrito de investidores. Esse tipo de estrutura exige do administrador fiduciário uma capacidade adicional de personalização, tanto na definição das políticas de investimento quanto na periodicidade e no formato dos relatórios prestados aos cotistas, sem abrir mão dos mesmos padrões de conformidade regulatória aplicados a fundos de maior escala.
Perspectivas para a gestão de grandes fortunas no Brasil
Com o apetite por crédito privado se consolidando como uma tendência estrutural, e não apenas conjuntural, entre family offices brasileiros e internacionais, a expectativa é que esse movimento continue ampliando a demanda por administradores fiduciários capazes de combinar rigor técnico, transparência e capacidade de personalização. Para a indústria de gestão de fortunas, a maturidade da infraestrutura independente que sustenta essas operações deve seguir como fator decisivo para consolidar o crédito privado como uma classe de ativos permanente, e não apenas oportunista, dentro dos portfólios das famílias mais ricas do país.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

