Pesquisas recentes mostram divisão religiosa nas intenções de voto e reforçam o peso crescente do eleitorado evangélico no país.
A cerca de três meses do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro de 2026, um recorte específico das pesquisas eleitorais tem chamado atenção de analistas políticos: o comportamento do voto por religião. Levantamentos recentes do instituto AtlasIntel e da Datafolha mostram que católicos e evangélicos caminham em direções distintas na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, revelando um Brasil eleitoralmente dividido também pela fé.
O que dizem as pesquisas mais recentes
De acordo com pesquisa do instituto AtlasIntel divulgada no início de julho, no cenário geral Lula lidera com 46,3% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 36,6%, mas o recorte por religião muda o quadro: entre os católicos, Lula aparece com 48,3% contra 37,9% do senador, enquanto entre os evangélicos a disputa se inverte, com Flávio à frente por 42,9% a 39,7%. A margem é apertada, mas suficiente para escancarar o quanto o eleitorado evangélico segue sendo um dos mais disputados do país.
O contraste também aparece na avaliação do governo. Segundo a mesma pesquisa, a aprovação do governo Lula entre católicos está praticamente dividida ao meio, mas entre evangélicos a rejeição é bem mais acentuada, ultrapassando dois terços do grupo. Já o levantamento da Datafolha, realizado em maio, apontou melhora na avaliação de Lula tanto entre católicos quanto entre evangélicos, embora o cenário geral de vantagem evangélica para candidatos de direita continue se repetindo desde 2018.
Por que o eleitorado evangélico ganhou tanto peso político
Esse fenômeno não é recente, mas vem se acentuando a cada ciclo eleitoral. Segundo o Censo 2022 do IBGE, os evangélicos já representavam 26,9% da população brasileira, o equivalente a 47,4 milhões de pessoas, um recorde histórico. Pesquisas privadas mais recentes, feitas entre 2024 e 2025, estimam que esse percentual possa já estar entre 31% e 33% da população, um contingente entre 67 e 71 milhões de brasileiros. Enquanto isso, a proporção de católicos no país recuou 8,4 pontos percentuais entre 2010 e 2022, atingindo o menor patamar da história da série histórica do Censo.
Esse crescimento evangélico não se distribui de forma uniforme pelo território nacional. Estados do Centro-Oeste e do Norte, além de regiões de fronteira agrícola, apresentam concentração proporcional mais alta, enquanto estados como Piauí, Maranhão e Bahia seguem com forte predominância católica. No Maranhão, por exemplo, mesmo com o avanço evangélico nas últimas décadas, mais de 64% da população ainda se declara católica, um percentual superior à média nacional, segundo reportagem publicada pelo jornal O Imparcial.
O impacto nas eleições estaduais e o papel do eleitor católico
Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo destacam que o comportamento do voto evangélico tende a ser mais coeso e alinhado ideologicamente do que o dos católicos, o que faz esse grupo funcionar como um bloco relativamente estável para candidaturas de direita. Ainda assim, especialistas apontam que foi justamente a migração de parte do eleitorado católico do Sudeste, motivada por fatores econômicos e não estritamente religiosos, que teria sido decisiva para a vitória de Lula em 2022, e pode voltar a ser um fator chave em 2026.
Esse cenário reforça um ponto importante para quem acompanha a relação entre fé e política no Brasil: dentro do próprio eleitorado evangélico não existe unanimidade, já que o grupo se fragmenta entre pentecostais, neopentecostais, históricos e não praticantes, cada segmento com comportamentos eleitorais distintos. A mesma diversidade vale para os católicos, cujo voto historicamente aparece mais dividido entre diferentes candidaturas do que o voto evangélico.
A disputa presidencial de 2026 deve, mais uma vez, colocar em evidência o quanto a fé influencia as urnas no Brasil, sem que isso signifique um comportamento uniforme dentro de cada grupo religioso. Para os leitores católicos que acompanham este portal, entender essas nuances ajuda a interpretar com mais clareza as pesquisas que serão divulgadas ao longo dos próximos meses, sempre lembrando que esses números mudam a cada nova rodada de levantamentos e merecem ser lidos com instituto e data ao lado.
Fontes consultadas:
- CartaCapital: https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/como-catolicos-e-evangelicos-votariam-para-presidente-no-1o-turno-segundo-pesquisa-atlasintel/
- Gazeta do Povo: https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/voto-evangelicos-tarcisio-presidenciaveis-2026/
- O Imparcial: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/07/eleicoes-2026-eleitorado-evangelico-deve-acirrar-disputa/
- EcoDebate: https://www.ecodebate.com.br/2026/05/25/intencao-de-voto-de-catolicos-e-evangelicos-nas-eleicoes-presidenciais-de-2018-a-2026/

