Com 160 anos de presença no Brasil, a devoção à padroeira do Mato Grosso do Sul revela a força da espiritualidade mariana no cotidiano dos fiéis.
Há devoções que resistem ao tempo não porque foram impostas, mas porque tocam algo profundo no coração humano. A devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é uma delas. Em Campo Grande, a 9ª Festa da Padroeira de Mato Grosso do Sul começou no dia 19 de junho, no Santuário Estadual de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com programação que segue até o dia 28 de junho reunindo missas, procissões, peregrinações e atrações culturais. O tema escolhido para a celebração deste ano é revelador: “Maria, Mãe do povo fiel sul-mato-grossense, sustentai-nos no anúncio da redenção!”, que também marca os 160 anos da devoção ao ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Capital NewsCapital News
Mas o que faz esse ícone manter tanta vitalidade espiritual ao longo de gerações? O que os fiéis buscam quando se ajoelham diante dessa imagem? E por que essa devoção específica cresceu tanto no Brasil? Entender a espiritualidade por trás da devoção é o primeiro passo para vivê-la com profundidade.
A origem e o significado do ícone sagrado
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é representada em um ícone do século XIII ou XIV, de origem cretense, que chegou a Roma no século XV e ficou sob a guarda dos Redentoristas desde 1866, por ordem do Papa Pio IX. A imagem mostra Maria segurando o Menino Jesus enquanto ele, assustado diante dos anjos que carregam os instrumentos da Paixão, busca refúgio nas mãos da Mãe. Esse gesto revela muito sobre o sentido da devoção: Maria como aquela que segura a mão do filho diante do sofrimento, assim como segura a mão de cada fiel.
O título “Perpétuo Socorro” não é poético ao acaso. Ele afirma uma presença constante, sem prazo para terminar. A memória litúrgica de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é celebrada em 27 de junho, e a preparação espiritual tradicional para essa festa, como aponta o calendário mariano, começa em 25 de maio, com 33 dias de oração e consagração. Esse tempo de preparação reflete o quanto a devoção é vivida como um caminho, e não apenas um evento. Vocacaodejesus
No Brasil, os Redentoristas foram os principais responsáveis pela difusão dessa devoção. As Trezenas em honra a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, realizadas em paróquias de todo o país, reúnem comunidades inteiras por nove dias de orações, novenas e celebrações. A devoção cria vínculos comunitários que vão muito além da religiosidade individual: ela forma grupos, aproxima vizinhos, fortalece famílias.
Como viver essa devoção no dia a dia
A pergunta que muitos fiéis fazem é prática: como levar essa devoção para além das missas e festas? A resposta que a tradição da Igreja oferece passa por três dimensões: a oração regular, a meditação do ícone e a obra de misericórdia como forma de prolonagr o socorro de Maria no mundo.
A oração mais associada a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro pede proteção e auxílio nos momentos de dificuldade. Ela expressa a convicção de que Maria intercede pelos fiéis diante de Cristo, assim como intercedeu nas bodas de Caná. O ícone, por sua vez, é um convite à contemplação: olhar para aquela imagem em silêncio, perceber o abraço maternal, é uma forma de oração que dispensa palavras.
Quanto às obras concretas, muitas comunidades redentoristas associam a devoção a ações sociais: distribuição de alimentos, visita a idosos, apoio a famílias em vulnerabilidade. Essa ligação entre devoção mariana e serviço ao próximo é central na espiritualidade católica: amar a Mãe implica imitar o Filho. Ao longo dos dez dias da festa em Campo Grande, o santuário receberá peregrinações de diferentes grupos, como ciclistas, motociclistas, profissionais da saúde, educadores, forças de segurança e movimentos religiosos. Essa diversidade de peregrinos mostra que a devoção atravessa profissões, idades e estilos de vida. Capital News
Por que a devoção mariana continua crescendo no Brasil
Em um tempo marcado por incertezas, crises e excesso de informação, a busca por ancoragem espiritual cresce. A devoção mariana responde a uma necessidade humana muito real: a de sentir-se acompanhado, protegido, amado por uma presença materna. Não é casualidade que os santuários dedicados a Nossa Senhora continuem recebendo milhões de peregrinos por ano no Brasil, de Aparecida ao Perpétuo Socorro em Campo Grande.
O calendário litúrgico oferece, ao longo do ano, diversas festas marianas que marcam o ritmo da vida cristã. Em junho, a Igreja celebra o Imaculado Coração de Maria e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, entre outras memórias, criando um tecido de oração que sustenta a fé no cotidiano. Para quem deseja aprofundar a devoção, o ponto de partida pode ser simples: recitar o terço, contemplar o ícone, participar da Trezena na paróquia mais próxima. Biblioteca Católica
Mais informações sobre a programação do Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Campo Grande estão disponíveis pelo Capital News. O socorro de Maria não tem endereço fixo: chega onde o coração está aberto para recebê-lo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

