Política

Papa pede que líderes católicos deixem política de lado ao abrir reunião no Vaticano

O Papa Francisco pediu nesta quarta-feira aos líderes católicos que deixem de lado a política e trabalhem para tornar a Igreja mais acolhedora para todos, na abertura de um encontro global que, segundo críticos conservadores, corre o risco de “envenenar” a fé.

Proferindo uma homilia na Praça de São Pedro no início da primeira reunião global de líderes da Igreja em quatro anos — conhecida como Sínodo –, o papa disse que os bispos deveriam evitar “estratégias humanas, cálculos políticos ou batalhas ideológicas”.

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“Não estamos aqui para realizar uma reunião parlamentar ou um plano de reforma”, disse ele na homilia da missa, que, segundo o Vaticano, foi assistida por uma multidão de 25 mil pessoas.

O sínodo não é uma tentativa de “se afastar do patrimônio sagrado da verdade recebida dos padres”, disse ele. Mas a Igreja deve evitar tornar-se “uma Igreja rígida, que se arma contra o mundo e olha para trás”, ou “uma Igreja morna, que se entrega às modas do mundo”.

As portas da Igreja devem estar “abertas a todos, todos, todos”, acrescentou.

Críticos conservadores do papa tornaram-se cada vez mais declarados antes do Sínodo, que deverá discutir temas como o papel das mulheres, a aceitação dos católicos LGBT e o impacto das mudanças climáticas sobre os mais pobres.

O cardeal Raymond Burke, um norte-americano radicado em Roma e um dos principais críticos do papa, pediu uma defesa contra “o veneno da confusão, do erro e da divisão”, que Burke teme possa ser introduzido pelo Sínodo.

Pela primeira vez, as mulheres, incluindo várias freiras, serão autorizadas a votar, algo que as mulheres conservadoras contestaram, dizendo que apenas os bispos deveriam ter esse direito.

Dois dias antes do início do Sínodo, cinco dos 242 cardeais da Igreja revelaram que tinham enviado uma carta ao papa exigindo esclarecimentos sobre a bênção a casais do mesmo sexo, o papel das mulheres e outras questões.

O papa foi acompanhado na celebração da missa desta quarta-feira pela maioria dos 21 novos cardeais que ele promoveu ao alto escalão no sábado, um movimento que consolida ainda mais o seu legado. Francisco já nomeou quase três quartos dos eleitores que terão direito a voto na escolho de seu eventual sucessor.

Os líderes da Igreja têm-se preparado para o Sínodo, que irá durar um mês, ao longo dos últimos dois anos, pedindo aos católicos de todo o mundo que partilhem a sua visão para o futuro da Igreja.

O papa decidiu incluir cerca de 70 leigos, metade dos quais são mulheres, ao lado de cardeais e bispos entre os 365 “membros” com direito de voto no Sínodo.

As discussões se estenderão durante este mês e serão retomadas em outubro de 2024. Depois, um documento papal deve ser redigido, muito provavelmente em 2025, o que significa que mudanças no ensinamento da Igreja, caso haja alguma, ainda estão muito distantes.

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