Política

Papa à universidades católicas: olhar além e não se fechar em ideologias

Francisco recebeu os membros da Organização de Universidades Católicas da América Latina e Caribe e lembrou da missão de formar mentes católicas

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira, 4, na Sala Clementina, no Vaticano, os participantes do Congresso da Organização de Universidades Católicas da América Latina e Caribe (ODUCAL), por ocasião de seu 70º aniversário de fundação.

A ODUCAL foi fundada, no Chile, pelo arcebispo de Concepción, Dom Alfredo Silva Santiago, com o apoio de outras universidades. É a maior organização dentro da Federação Internacional de Universidades Católicas (FIUC). Ela é composta por 115 universidades, que atualmente representam um milhão e quinhentos mil alunos, mais de cento e dez mil professores e mais de cinco mil programas acadêmicos de diferentes níveis.

Em seu discurso, o Papa destacou que a organização tem solidez no trabalho acadêmico e, ao mesmo tempo, tem em suas mãos uma grande responsabilidade, tanto no presente quanto no futuro da América Latina. Um dos objetivos da ODUCAL é «Contribuir para a formulação de políticas públicas relacionadas com a educação, tanto no âmbito nacional quanto supranacional».

“Nesse sentido, e olhando para a realidade da nossa América Latina, a pobreza e a desigualdade são uma chaga que aprofunda em vez de aliviar. A pandemia e as suas consequências, o agravamento do contexto mundial político, econômico e militar, bem como a polarização ideológica, parecem fechar as portas aos esforços de desenvolvimento e aos desejos de libertação”, disse.

Formar mentes católicas
Francisco enfatizou aos participantes, sua tarefa de contribuir para formar mentes católicas:

“Se a palavra ‘universidade’ vem de ‘universo’, ou seja, o ‘conjunto de todas as coisas’, o adjetivo ‘católico’ a reforça e inspira. A tarefa de vocês é contribuir para formar mentes católicas, capazes de observar não só o objeto do seu interesse. Um olhar extremamente preciso e focado pode se tornar fixo e exclusivo. Tem a precisão de um radar, mas perde o panorama. Ao contrário, ser ‘católico’ significa ter uma visão panorâmica sobre o mistério de Cristo e do mundo, sobre o mistério do homem e da mulher. Precisamos de mentes, corações e mãos para corresponder ao panorama da realidade, não à estreiteza das ideologias”.

E afirmou estar convencido que “a catolicidade da mente, do coração e das mãos”, promovida por estas universidades e sua associação, pode contribuir decisivamente para “curar as feridas dolorosas” que hoje ofendem a América Latina.

Pacto Educativo Global
Segundo o Papa, o Pacto Educativo Global, que ele confiou à então Congregação para a Educação Católica e agora ao novo Dicastério para a Cultura e a Educação, poderá ajudar nisso.

Muitas universidades “promovem com energia ideias e projetos inspirados no Pacto Educativo Global”. “Por favor, continuem. Acredito que o Pacto – não apenas educacional, mas também cultural – dá uma contribuição significativa para o que chamei de ‘terceira missão’ da universidade. É bonito que as universidades tenham missões”, disse Francisco.

O Papa afirmou ainda que, uma universidade católica deve ser missionária, isto é, com as portas voltadas para fora, porque “a missão é a inspiração, o impulso, o esforço e o prêmio de toda a Igreja”.

“Talvez a missão da universidade seja formar poetas sociais, homens e mulheres que, aprendendo bem a gramática e o vocabulário da humanidade, tenham centelha, tenham um brilho que lhes permita imaginar o inédito. Não se esqueça dessa expressão: formar poetas sociais”.

Sair e aprender
O Papa traduziu a palavra “missão” no âmbito acadêmico, com a palavra “pesquisa”. Segundo ele, o “pesquisador tem mente e coração missionários. Não se contenta com o que tem, sai em busca”.

“O missionário conhece a alegria do Evangelho e não vê a hora que outros a experimentem. Por isso, deixa a pátria de suas convicções e de seus costumes, indo para lugares inexplorados. O missionário ama a reciprocidade: ensina e aprende, convencido de que todos têm algo a ensinar. Assim, o pesquisador, se não estiver disposto a sair e aprender, abrirá mão sabe-se lá de que conhecimento maravilhoso, mutilando sua própria inteligência. É muito triste encontrar intelectuais, homens e mulheres de grande inteligência, mas com inteligência mutilada”, concluiu o Pontífice.

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